Construção rural: 30 metros de altura, a 200 km de hospital.
Montagem de silo metálico é NR-35 a 20-30 metros. O interior do silo em construção é NR-33. O canteiro de obras é NR-18. Três normas, um canteiro, distância rural do socorro — e a responsabilidade criminal do engenheiro responsável quando algo dá errado.
NR-35
trabalho em altura
montagem de silo metálico — acima de 2 metros
NR-33
interior do silo
espaço confinado durante montagem, reforma e inspeção
NR-18
construção civil
aplicável a obras de silos, armazéns e galpões rurais
Por Matheus Lima · CREA-BA 052353071-4
O montador de silo que sobe sem EPI de altura “porque é rápido” já fez isso 200 vezes. Na 201ª vez, é o processo criminal do engenheiro responsável pela obra e o processo trabalhista da construtora. A rapidez não é argumento jurídico.
Construtoras que montam silos metálicos, armazéns graneleiros, galpões de insumos, sistemas de secagem de grãos e infraestrutura de irrigação são, do ponto de vista SST, empresas de construção civil com canteiro em zona rural. A NR-18 — que regula a segurança em obras — se aplica integralmente. O fato de a obra estar em uma fazenda a 150 km da cidade não cria isenção regulatória — cria apenas maior dificuldade de acesso a socorro em caso de acidente.
A montagem de silo metálico combina três normas críticas no mesmo canteiro: NR-35 para trabalho em altura (a montagem acontece a 15-30 metros), NR-33 para trabalho no interior do silo durante montagem e inspeção (espaço confinado), e NR-18 para o canteiro de obras em geral. O montador de silo que sobe sem EPI de altura, que entra no interior do silo sem PTE e que opera o guindaste sem procedimento de segurança documentado está em três infrações simultâneas — e o engenheiro que assina a ART da obra é o responsável técnico por todas.
A NR-18 exige PCMAT (Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção) para obras com mais de 20 trabalhadores. O PCMAT é o equivalente do PGR para canteiros de obra: identifica os riscos, define as medidas de controle e estabelece o programa de saúde e segurança para a duração da obra. Construtoras de silos que operam equipes de 15-25 montadores por obra muitas vezes não elaboram o PCMAT porque “é rápido” — a montagem de um silo de médio porte dura 15 a 45 dias, e parece pouco tempo para formalizar um programa de segurança. Mas é tempo suficiente para um acidente fatal.
A responsabilidade do engenheiro responsável pela obra rural não é apenas civil — é criminal. Quando um montador cai de um silo porque o EPI de altura não estava sendo usado ou porque o sistema de ancoragem não foi dimensionado corretamente, o processo penal começa na data do acidente. A defesa técnica do engenheiro depende de documentação: plano de trabalho em altura, treinamento NR-35 registrado, sistema de ancoragem especificado em projeto, APR assinada antes do início da montagem. Sem documentação, não há defesa.
Mapa de riscos por função
Um canteiro de obra rural. Quatro funções. Três normas críticas simultâneas.
Montador de Silo (trabalho em altura)
Risco CríticoQueda altura 15-30m · Choque com carga suspensa · Vento · NR-35
Operador de Guindaste / Munck
Risco AltoColapso de carga · Tombamento equipamento · Área de risco · NR-11 · NR-12
Trabalhador de Interior de Silo
Risco CríticoO2 deficiente durante pintura · Queda interna · Gases de produtos químicos · NR-33
Trabalhador de Canteiro de Obras
Risco MédioMáquinas de obra · Queda de materiais · Eletricidade temporária · NR-18
NR-35 na montagem de silo: trabalho em altura sem plano é responsabilidade criminal, não multa.
A NR-35 exige que todo trabalho em altura (acima de 2 metros do nível inferior) seja precedido de plano de trabalho elaborado pelo empregador, treinamento do trabalhador com certificado válido (validade de 2 anos) e autorização formal do trabalhador como habilitado para o trabalho. O plano de trabalho em altura para montagem de silo metálico precisa especificar: o sistema de ancoragem (ponto de ancoragem, absorvedor de impacto, talabarte), o procedimento para cada fase da montagem (base, corpo, teto, coifa), e o plano de resgate para caso de queda com trabalhador suspenso.
O resgate de trabalhador suspenso é um dos aspectos mais negligenciados da NR-35. Quando um montador cai e fica suspenso no talabarte, ele tem em média 10-20 minutos antes de desenvolver síndrome do cadeireiro (compressão das veias femorais pelo arnês) — que pode ser fatal. Em uma obra rural a 100 km da cidade, o SAMU não chega nesse tempo. O resgate precisa ser feito pela própria equipe, com equipamento de içamento disponível no canteiro e procedimento de resgate treinado e documentado. Obra sem plano de resgate não cumpre a NR-35 — independente de todos os outros EPIs estarem corretos.
A responsabilidade criminal por acidente em obra é do responsável técnico da ART — não apenas da empresa. O engenheiro que assina a ART de montagem de silo é o responsável técnico pela segurança da obra perante o CREA e perante o Ministério Público. Em caso de acidente fatal com trabalhador sem EPI ou sem treinamento NR-35, o processo penal por homicídio culposo corre contra o engenheiro pessoalmente — independente de o montador ter “escolhido” não usar o EPI. A obrigação do empregador e do responsável técnico é garantir o uso, não apenas fornecer.
Ponto-chave
Plano de resgate para trabalho em altura não é documento de prateleira. É o procedimento que a equipe executa quando um montador fica suspenso. Em zona rural, a 100 km do hospital, é a diferença entre sobrevivência e morte por síndrome do cadeireiro.
Fases da obra e janelas de risco
Mobilização do canteiro
MédioInstalação de canteiro, instalação elétrica temporária (NR-10), verificação de EPIs, treinamentos obrigatórios NR-35 e NR-33, elaboração de APRs para cada fase.
Montagem da estrutura (base e corpo do silo)
CríticoFase de maior trabalho em altura: içamento de chapas e estruturas com guindaste, fixação em altura com trabalhadores suspensos. Risco máximo de queda e colapso de carga.
Trabalho no interior do silo (pinturas, montagem de equipamentos)
CríticoInterior do silo é espaço confinado durante obra: pintura com solventes em espaço fechado produz atmosfera explosiva (LEL) e tóxica (VOC). PTE obrigatória, detector de gases, EPI respiratório e ventilação forçada.
Comissionamento e entrega
MédioTestes de equipamentos elétricos e mecânicos, inspeção final do interior, entrega de laudos (NR-12, NR-33) ao proprietário. Documentação de obra entregue junto com o equipamento.
Interior do silo em obra: NR-33 quando você menos espera.
O interior do silo metálico em construção não parece um espaço confinado: está aberto, tem abertura no topo, os trabalhadores entram e saem durante todo o dia. Mas a NR-33 define espaço confinado por características — meios limitados de entrada e saída, não projetado para ocupação contínua, e que possa conter atmosfera perigosa — não por aparência. E no momento em que a pintura começa com tinta epóxi ou anticorrosiva com solvente, o interior do silo torna-se um espaço confinado com atmosfera explosiva e tóxica simultâneas.
Vapor de solvente em espaço fechado (mesmo com abertura no topo) acumula na base — onde os pulmões do operador estão. O LEL (Limite de Explosividade Inferior) de solventes comuns em tintas industriais fica entre 1% e 5% — o que significa que concentrações muito baixas já criam risco de ignição. Uma faísca da ferramenta elétrica, o motor do compressor de tinta, ou o celular do montador são suficientes. A PTE para pintura interna de silo precisa incluir medição de LEL antes e durante a pintura, sistema de ventilação forçada (exaustão), EPI respiratório com filtro para vapores orgânicos e ferramentas antiexplosivas.
A ART da obra de montagem de silo não cobre apenas a estrutura — cobre todas as atividades executadas até a entrega do equipamento ao cliente. Isso inclui a pintura interna (NR-33), os testes de equipamentos elétricos (NR-10) e a inspeção final do interior. O engenheiro que assina a ART e não prevê as medidas de controle para essas atividades tem a responsabilidade técnica por qualquer acidente que ocorra durante elas — mesmo que o acidente aconteça após o término aparente da montagem estrutural.
Ponto-chave
A ART de obra é a declaração de responsabilidade técnica do engenheiro. Quando o montador cai sem EPI de altura, a ART registra que o engenheiro era o responsável técnico pela segurança da obra — e a ausência de documentação SST é a prova da negligência.
Ranking de exposição ao risco
Cascata de consequências
O que acontece quando o montador cai sem NR-35 documentada.
CREA / MTE
Interdição de obra e cancelamento de ART
ImediatoObra com montadores em altura sem EPI de ancoragem: o CREA pode cancelar a ART do engenheiro responsável e o MTE pode embargar a obra imediatamente. Trabalho em altura sem plano NR-35 é condição de risco grave e iminente — embargo sem aviso prévio.
Penal
Processo criminal do engenheiro responsável
Após acidente fatalQueda fatal em montagem de silo sem plano NR-35, sem treinamento documentado ou sem sistema de ancoragem: processo por homicídio culposo do engenheiro que assina a ART (Art. 121 §3 CP). A ART é o instrumento que vincula a responsabilidade técnica ao engenheiro individualmente.
Trabalhista
Indenização sem teto por acidente fatal
Após acidenteFamília de montador morto em queda: ação de indenização por dano moral, material, estético e pensão vitalícia. Construtora sem documentação NR-35 não tem defesa. Indenização começa em R$ 300.000 e pode superar R$ 1,5 milhão dependendo do perfil do trabalhador.
Como a Excello atende construtoras rurais
Quatro entregas. Do plano NR-35 ao treinamento dos montadores — com ART de responsabilidade técnica.
Plano de trabalho em altura por fase de obra
Elaboração do plano de trabalho em altura específico para montagem de silo — por fase (base, corpo, coifa, equipamentos internos) — com especificação do sistema de ancoragem, procedimento de trabalho e plano de resgate. ART de responsabilidade técnica da Excello.
NR-33 para interior de silo em obra
Classificação do interior do silo como espaço confinado durante obra, elaboração de PTE específica para montagem e pintura, treinamento NR-33 da equipe e especificação de equipamentos de ventilação forçada e detecção de gases para trabalho com solventes.
PCMAT para obras com equipes de 20+ trabalhadores
PCMAT elaborado antes do início da obra, com identificação de riscos por fase, medidas de controle, programa de saúde e cronograma de treinamentos. Base documental da segurança da obra — exigido na fiscalização do MTE e no licenciamento da obra.
Treinamentos NR-35 e NR-33 com certificados válidos
Treinamento NR-35 (trabalho em altura) com certificado de 2 anos de validade e treinamento NR-33 (espaço confinado) para todos os montadores antes do início de cada obra. Documentação que vincula o trabalhador ao treinamento — lista de presença, conteúdo programático e avaliação.
“O engenheiro que assina ART de obra rural e não elabora plano NR-35 está apostando que o montador não vai cair. Quando cai, o CREA e o Ministério Público não aceitam ‘estava funcionando bem até hoje’ como argumento de defesa.”

Matheus Lima
Engenheiro de Segurança do Trabalho · CREA-BA 052353071-4
Especialista em SST para construção rural no MATOPIBA — montagem de silos metálicos (NR-35 e NR-33), armazéns graneleiros (NR-18), obras de irrigação e infraestrutura rural. Planos de trabalho em altura com ART, PCMAT e NR-33 para espaços confinados em obra.
Perguntas frequentes.
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CNPJ 21.336.252/0001-66 · CREA-BA 052353071-4 · Resposta em até 48h úteis
NR-35
Trabalho em altura: plano, EPI e treinamento.
NR-33
Interior de silo em obra: espaço confinado com PTE.
NR-12
Máquinas de obra e equipamentos de içamento.
APR
APR para cada fase da montagem de silo.
Segurança do Trabalho
SGI para construtoras de infraestrutura agro.
MATOPIBA
Obras rurais no MATOPIBA: distância do socorro e SST.
NR-35 — Trabalho em Altura
Montagem de silo: principal aplicação da NR-35 no agro.
NR-33 — Espaço Confinado
Interior do silo em obra: espaço confinado em construção.
APR — Análise Preliminar de Risco
Obrigatória para cada fase da construção rural.